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08 outubro, 2009

Eu Insone


Insônia é tatear travesseiro vazio,
Insensatez é chamar nome ausente,
Devaneio é segurar mão distante,
Desatino é rir da saudade,
Insanidade é dizer boa noite a ninguém.
(Exílio - Carlucho Vitaliano)

Coloco a culpa nessa distância,
Entre ti e meus olhos no espelho,
Nessa vontade de nós.
Aliás, qual seriam suas intenções
De despertar minhas segundas...???
Agarro-me a qualquer destroço
Pra não me afogar nestes pensamentos...
Á esta hora da noite dá pena de ver:
Meus livros usados e desprezados,
Espalhados pelo chão do quarto,
Todos tão iguais entre si.
Tão iguais comigo,
Eu aqui sozinha comigo
Tão sei lá assim só então:
Relendo meu rasurado coração
E eu que nem queria escrever...
Meus pensamentos nem rimam comigo
Mas é que esta noite,
Nem queria escrever
Aquela outra noite contigo
Esta insônia idiota,
Esta chuva ESTRANHA,
Me deixam tão sentimental
Como uma idiota sentimental.

05 outubro, 2009

To The Future Passion (Recado á Futura Paixão)



English version
By Juju Sousa


In a thousand crazy deliriums
I hug you in empty days mine
Expecting to feel the tremors
Of my body in your arms

I am proving every day, little by little
The flavor of lips thine
The seconds despair in the compass
In the space of desire

My mind has arrested me
I don't want to know about leave
My mind is my space. Here
I've got the illusion of to live

In a future of gladness where
I have got you
And it will be thus until
I die of annoyance or delirium...

03 outubro, 2009

Para Não Nos Apaixonar


Finque meus pés
Para que eu não vá até ti,
Nem vá te procurar.
Ate as minhas mãos
Para eu não te sentir,
Não te tocar...

Talvez fique mais fácil.
Se eu vir só até aqui
E se eu não suportar,
Serei pelo menos capaz
De sentir teu mesmo ar...
E respirar!

Cubra meus olhos
Para que eu não cobiçe a ti,
Nem vá te desejar
Tape meus ouvidos
Pra eu não te seguir,
Não te escutar...

Talvez seja mais fácil
Querer só este fim
E se eu não suportar,
Serei ao menos capaz
De te olhar...
E flutuar!
 
Cale minha boca.
Para eu não diga palavras de ti,
Nem vá te gritar.
Vicie-me em ausência
Para eu não te querer,
Não te lembrar...

Talvez fique mais fácil.
Guardar tudo em mim.
E se eu não suportar,
Serei pelo menos capaz
De procurar um lugar...
Onde me encaixar...

02 outubro, 2009

O Último Parágrafo Desta Página


As páginas vira
Do livro da tua vida
Sái deste capítulo
Deste trecho usado
Deste parágrafo lido
Arruma teus troços
E muda teus traços
Teus olhos e mãos
Que estão pra lá de cansados
Nem mesmo eles te enxergam
Vai, te muda
Tão sempre tão previsível
Vira a página da vida
Na verdade, invisível,
Te vira!

01 outubro, 2009

Estranha Mutação


Eu sou uma estranha aqui em mim mesma.
Odeio o que fui ontem; tenho ânsia do que serei amanhã.
Agora sou apenas um passatempo.
Uma mutante ESTRANHA.
Uma constante metamoforse
Com a exceção da beleza das mariposas,
O Amor é a minha única paixão.
É a única coisa da qual tenho certeza.
Se eu não persigo o que quero,
Nada permanece em mim além do que não quero.
Os defeitos me agarram como náufragos a seus botes.
A vida me combate, com punhos e pés.
E eu me estranho a cada instante.
Uma hora me machuco, sangro, outra hora me choro.
Quando finda o dia (que às vezes dura semanas),
Nada mais está como antes.
Percebo: se há a dor, há o choro, e depois o descanso.
Se não há, há sempre outra dor, sem choro, sem descanso.
Assim as minhas sete vidas se transformam.
Faço parte do que parte. Nem sempre sou o que quero.
Faço–me e desfaço como a onda na praia.
Uma hora sou outra não estou, e depois sou de novo...
Só que diferente do que era antes.
Divido-me em sete partes toda semana.
Minha parte de hoje já mudou.
Como muda o ângulo do qual me observam;
Ou como muda a distância da qual me olham.