Ím-Par

/ agosto 15, 2017
          
https://www.instagram.com/p/BXDmrf4lpEi/?taken-by=charleenweiss
 - foto: Charlie Weiss -


                   Moça
nunca se esqueça
que é também possível
Entrar sozinha
         numa dança
          
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 - foto: Charlie Weiss -


                   Moça
nunca se esqueça
que é também possível
Entrar sozinha
         numa dança
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 - foto: Jean-Philippe Piter - 


tua falta sentir
é se esvaziar
e estar oca

é sentir fome
e precisar
te morder
sentir teu gosto
te consumir

se saciar
matar a vontade
da boca.

Fome

by on agosto 12, 2017
 - foto: Jean-Philippe Piter -  tua falta sentir é se esvaziar e estar oca é sentir  fome e precisar te morder sentir t...
- foto: Fox and Owl Studio -

é um dia sim,
um não

uma boca beijada,
um lábio mordido

é uma confusão,
uma hora marcada
 
 um amor cálido. uma  paixão calorosa
uma fornalha. uma centelha.

é arrumar uma vida inteira com apenas uma rosa.


*Nutação:  
Oscilação do eixo de um astro em torno de sua posição média.
Agitamento, balanço, oscilação.
junho, 2014

(Nu)tação

by on junho 14, 2017
- foto: Fox and Owl Studio - é um dia sim, um não uma boca beijada, um lábio mordido é uma confusão, uma hora marcada ...
- foto: Erin Northcutt -


Um dos clichês mais verdadeiros é que quando se trata de amor, a ambição nunca é sobre encontrar a perfeição.

Ter o tal “par perfeito” é apenas sobre ter alguém que esteja disposto a atravessar os tempos difíceis com você. É sobre ter alguém que veja beleza e descubra tesouros inimagináveis em você.  
O objetivo deveria ser sempre encontrar alguém que valha a pena.




Perceba com quem você pode passar por turbulências sem sair do seu lado e segure sua mão. Encontre alguém que faça bem ao seu coração e a sua mente e o proteja. Valorize aquele alguém com quem você possa se divertir com, mas também relaxar. Alguém que não tenha medo de ser sonhador, patético e louco.


Sabe aquela pessoa que acalma o caos do seu dia? Ela não é perfeita, mas é o seu par: Leve-a pelo resto da vida. 

- foto: Peter Olvera -

me apetece escrever: ideias precisas, sentimentos profundos, baboseiras legíveis, exatidões. quero ir além de uma frase, uma linha no word, uma dezena de palavras golpeadas no teclado, uma oração. quero  a inspiração além-mundo, além-você, anti-você. a tal profusão poética acentuada, acentuação, adjetivação exata... nem isso. só me vem você, só você, escrevo: me beija. nem só isso. é que anseio, entalho: aspiro teu beijo. colisão de teus lábios nos meus lábios, na nuca, no colo, 'inda nunca sei onde vai colar tua boca, ora oca, ora língua e eu morrendo sem ar, machuca, morrendo a míngua sem querer parar a hora exígua. basta, basta. isso me basta. 

Sandice

by on janeiro 24, 2017
- foto: Peter Olvera - me apetece escrever: ideias precisas, sentimentos profundos, baboseiras legíveis, exatidões. quero ir além d...
- foto: Sam Horine -


"Por aqui não se passa 
sem que se sofra o calor do fogo." 
(Dante Alighieri) 


Sentei para escrever ás dez da matina e podia jurar que o relógio já batia o meio dia. Credo, Deus, pra quê esse calor? O mormaço me derrubou. Nada de inspiração, somente transpiração.

Saio no portão. Somente uma senhorinha debaixo de uma sombrinha velha passa na rua. Corajosa. Aqui fora, nem uma folha de jambo ousa se mexer. Olho para o céu. Lá em cima, uma nuvem sozinha que não cumpre seu bendito trabalho de chover. E eu aqui embaixo, suando, cozinhando em banho maria-da-silva. 

Volto para a cadeira e tento escrever sobre o amor, felicidade, sonhos, essas coisas. Mas não dá pra dá um abracinho no pingo do meio dia, não dá para ser simpática com seus miolos fervendo e não dá nem pra dormir nessa quentura. Ah, eu queria era escrever sobre a beleza de viver...

A vida é bela meus queridos, mas juro que esse calor tá querendo me matar.




 (Um daqueles pedidos para ser feito antes de assoprar as velas)


Na verdade, amor, eu nem espero mais que você venha, mas se quiser chegar, que você chegue em uma tarde ensolarada, ou numa noite chuvosa, ou em um dia qualquer venha e me tire do tédio. Que você esteja de camisa regata, ou polo, azul, verde, preto ou branco ou nada. Que você me ache bonitinha, ao menos, ou tímida, ou lesa. Que você se encante comigo de alguma maneira, ou quem sabe eu nem te chame a atenção. Que você queira me conhecer melhor e saiba que eu não sou assim tão chata, ou que eu sou até interessante, ou que não tenho porra nenhuma a acrescentar a você, ou que eu sou uma completa idiota que escreve coisas idiotas que ninguém quer ler.

Que você entenda ou ao menos não se incomode como eu sou estranha, ou como sou desastrada, ou que eu não saiba dançar muito bem, apesar de na verdade eu não saber dançar nada. Que sou distraída, bagunçada, mas que mesmo assim você decida ficar por curiosidade ou porque acha que pode se encontrar ou ficar a vontade no meio dessa minha bagunça. Que você possa contar comigo, dormir comigo, se irritar comigo, ser feliz comigo. Que em dias normais ou anormais eu consiga te arrancar sorriso, ou juízo, ou os cabelos em um puxão, ou as roupas. Que meu colo magro possa te confortar, ou te consolar, ou te adormecer. Que me dé abraços, me dê flores, me dê nos nervos. Que você me faça juras de amor, que esteja lindo quando eu entrar na igreja, que queira ser meu marido e o pai dos meus filhos e que eles tenham seus olhos.

Que eu me apaixone no momento exato em que puser meus olhos grandes em você. Que eu te conheça, te descubra, te aprenda aos poucos, aos muitos, aos beijos, aos toques, aos gemidos. Que eu te seduza.  Que eu te faça bem ou saiba te cuidar em alguma tristeza, ou doença, ou manha. Que eu consiga cozinhar para você e que minha comida não seja um martírio. Que eu seja algum motivo de orgulho para você. Antes de tudo, que eu te ame. E depois de tudo, que você me ame, ou me queira, ou não me ignore. E acima de tudo, meu amor, que você venha, e que chegue logo na minha vida como um presente, antes do meu último aniversário ou antes que eu desacredite de vez nas remotas possibilidades das coisas acima.



"A paixão e a razão 
são duas viajantes que nunca vivem juntos na mesma hospedaria:  
quando uma chega, parte a outra." 
(Walter Scott)

Por um momento, sem fala, te beijo. Estremeço, e o beijo se abrasa em pleno fogo alto. Eu caio. Agarro-me a teus cabelos, braços, ombros, costas. Encostas-me. Me contraio e todo universo ao nosso redor se distrái. Esse mundo é só meu. Nada mais existe além de ti e da sensação de teus braços envoltos de mim, e de teus lábios nos meus. Há muito que já te perdi. Nesse encontro, também me perco. Estou sem razão de querer-te, mas eu te quero.

Passaram-se alguns minutos ou uma curta eternidade. Todos os dias de saudades cabem nesse instante e eu não encontro razões para largar-te. Fico farta de roupas pois quero nossos corpos ao vento e em lábios molhados, e quero estar como sempre desejo, a sentir-te e a sentir-me arder, exposta, como se minha pele estivesse ao avesso, como se a pele dele estivesse vestida em brasa, e eu queimando numa paixão dolorida, consumindo a minha inútil razão...

Paixão não tem razão. Eu, muito menos.


Sem Razão

by on fevereiro 07, 2014
"A paixão e a razão  são duas viajantes que nunca vivem juntos na mesma hospedaria:   quando uma chega, parte a outra."   ...
"Não fumo, não bebo e não cheiro. 
Só minto um pouco." 
(Tim Maia) 

Por fora pode parecer até indiferença com o que me fere, mas bem aqui dentro de mim é apenas o costume de quem sabe que tudo sempre muda – novamente embora todos os dias eu nasça, morra e renasça numa mesma vida na qual eu acordo com a mesma cara amassada, o mesmo nome e a mesma miopia. Sou apenas eu o tempo inteiro e vou girando em torno da minha própria vida de sempre. Vida pretérita
Vou e levo indevidamente na memória um punhal que sempre que começo a lembrar na vida que tinha antes de ser o que sou hoje, me corta, me rasga. "Não deveria ter deixado aquilo acontecer - novamente...". O punhal que corta a minha alma é o remorso de coisas que ás vezes nem ao menos fiz. Memória pretérita.
O meu estado de vida parece com um ritmo qualquer que não danço há tempos, como o gosto de uma bebida qualquer que não bebo mais, e na forma de cinzeiro para um cigarro qualquer que já não acendo mais. Apaguei. Encruou. Passou – novamente, mas o gosto ruim sempre volta. Estado pretérito.
Não há mais nenhum presente onde eu possa ficar.


Krol Rice Chacon