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21 fevereiro, 2012

Medo de Pesadelos



“Eu hoje tive um pesadelo/
 E levantei atento, a tempo/ 
Eu acordei com medo/
 E procurei no escuro/ 
Alguém com o seu carinho” 
Cazuza

Nada além mais... Somente a dúvida fere o meu coração: o peito aperta-o e a minha respiração mal se sente. Esqueço tudo e salto da realidade, e sobre salto, desaperto o botão de cima da saia e corro feito uma doida qualquer. Estou bem assim para você? O que achas?
Penetro o sentimento, forte por sinal, de tanto aperto no coração. Caminho na realidade, e choro nos sonhos, e tremo o tempo todo até o fim da tristeza.
Apenas vivo no sonho de invadir teus sonhos. Porque nos meus sonhos, eu sem saber o porquê, desenho a chuva com pintas de saudade, e em tons de guerra pinto as nuvens, e o com o resto das cores, coloro as minhas mágoas, e o teu amor que deveria ser o mais vívido, deixo transparente. Desses sonhos trago para a realidade do meu travesseiro minhas lágrimas como souvenir das dúvidas. Acordada, enterro-as no branco do papel.
O tempo muda, chove, ficam chuviscos na imagem da TV. Desligo-nos.
No reflexo da televisão desligada me observo quieta e abraçada às minhas  pernas finas pelos dias que passo a fio. Trovões rompem-me o tímpano em gritos de solidão. As dúvidas me atingem como raios de receios. Sofro medos de dormir sozinha abraçada á pesadelos. “Sweet dreams are made of these...” Apago a chuva, os meus sonhos, e corro direto para os teus...
Me aguarde á noite.


 
Krol Rice

17 fevereiro, 2012

Bom Tempo



 "A vida é uma lousa, em que o destino, 
para escrever um novo caso, 
precisa de apagar o caso escrito." 
 Machado de Assis

Ele foi se achegando devagarzinho, travesso que só ele mesmo falando de coisas que me levavam a pensar na sua juventude tão cheia de sonhos e planos... Começamos com uma brincadeira infantil até que estranhamente os laços foram se apertando, e o que era um amor de sonhos passou a ser um sonho de amor. Suas palavras beiram às vezes a uma infantilidade invejável e a maturidade de quem viveu a eternidade em vinte anos e oscilam desde a fragilidade de menino, a uma atitude divina relegada somente aos grandes homens.

Demorei a encontrá-lo, mas o tempo é marcador de épocas e mundos diferentes. Não pode nunca o passado misturar-se com o futuro nem tampouco o futuro sonhar com uma vaga no passado. O que é um confronto de ideias bem interessante. E eu aceito como um presente para meu presente e para o futuro. Antes o que achava um pouco estranho, hoje já não acho nada estranho... Eu só o amo para sempre, e é melhor, bem melhor esse tempo de agora...

Krol Rice

02 fevereiro, 2012

09 dezembro, 2011

Amor Consciente

"Temer o amor é temer a vida, 
e quem teme a vida já está três quartos morto."
Russel

- "Você sabe o que é o amor?" 
Perguntou-me o homem sorrindo na fotografia.

- O amor é o arrepio que chega quando menos esperamos.
É a lágrima saltando quando o coração chora.
É o suspiro quando a saudade aperta.
É agonia que acalma quando nos encontramos.
É o sorriso que se abre para te ver.
É o celular desligado quando você está chegando.
É o tempo que pára quando estamos juntos.
É o colo oferecido para teu cansaço.
É a palavra no ouvido que me abestalha.
É uma janela aberta na chuva.
É o frio fugindo do abraço.
O amor é um beijo sem fim.

Respondi encarando tua fotografia aspirando uma dose letal do teu olhar. Respondeu a menina que virara mulher e não sabia do perigo.

O amor não é para os mortais. Somos todos loucos, então. Pois amamos sabendo que podemos morrer disto...



Krol Rice

01 dezembro, 2011

Descobridora dos Sete Mares



Eu, marinheira autônoma, rasgo mapas. Em ti me perco, em ti navego sem bússola assim que velas de desejo em mim se erguem. Leves brisas em ti eu respiro. O ar, esse nos trespassa, e os nossos corpos esvoaçam feitos bandeiras no vento em um ritmo perdido no tempo. Beijo-te o ombro, o teu hálito, ouço teu suspiro de tédio forçado, encostas a tua cabeça ao meu peito e isso basta para silenciar a tempestade em copo d’água do meu coração. Esqueço que nem sei nadar. 

Brado aos deuses dos mares, mas é por ti que eu chamo num gemido. Por ti peço, tu me ouves, e tua mão me dás. Mas eu dou o bote feito pirata e roubo-te um beijo e tua boca conquisto. Persigo tua língua com a minha, desbravo os teus braços e neles me deixo prender. Liberto as tropas de roupas e dos dedos faço soldadinhos com leves machinhas ao rufar do tambor do teu coração. Escalo tuas pernas e nelas me prendo, subo em teu corpo e quase caio em vertigem, ao mesmo tempo em que brinco de exploradora, com minha língua irrequieta te percorro. Exploro teus lábios somente pelo puro prazer de te redescobrir. Um tesouro.