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09 setembro, 2009

Soneto I


Volta! Não descansa o corpo meu,
Invejo quem dorme um sonho santo.
Castigo friamente o coração, e canto,
Querendo apagar dele o calor teu.

Onde foi que meu ideal te perdeu?
Tire - Peço - de mim esse pranto,
Eu não só quero - Eu desejo, tanto:
Desvendar, realizar cada desejo teu.

E tu foges confuso, e eu pra não mais sofrer:
Me iludo, esqueço, mas eu volto a chorar,
Lê: Esquece que continuo a te querer?

Finda a noite, mas insisto em sonhar,
Diz, (embora nada me faça te esquecer):
Poderás tu Amor algum dia me amar?

Matéria e Obra




“... E o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.”
(Camões)

A razão perde a razão de existir
Quando a chama das paixões apaga;
Busca ainda um sinal, um só suspiro,
Pra nascerem versos que a sós não se traça;
Sem razões, chama viva, sinais e paixões,
Como a fênix morta, espera que a obra renasça.

Nasce e chora pela matéria que não há mais.
Dói ter que lutar e para prematura não morrer.
Não há mais a matéria prima dos meus sonhos,
E a criadora precisa da matéria para sua obra viver.
Procuro, preciso e também choro. Acho o vazio.
Covarde viro-te as costas para não também mais sofrer.

Como pode existir obra sem sua matéria?
E a pobre criadora sem sua obra o que será?
Preciso me unir à matéria para gerar a obra.
Como? Terei que criar a matéria para poder criar?
Criar sonhos do que resta. Renascer para depois morrer.
A obra renasce do que resta à criadora: Paixão no seu chorar...

06 setembro, 2009

Corações em Jogo


"O amor é o único jogo
no qual dois podem jogar e ambos ganharem."
Erma Freesman
 
Ganhando a você.
Eu perdi a mim...
Mas antes de jogo e trapaças,
Havia um tempo
Em que meu coração estava inteiro...
Mas a mesa virou,
Numa sutil tragédia
O jogo virou.

Talvez o amor seja uma sutil catástrofe.
No amor, talvez o azar seja duplo:
É não saber viver com você.
A sorte é dúbia, é recíproca:
E sem você não saber viver.

Não há acasos:
Até a maior estratégia não traz conseqüência.
No amor tudo é sorte
Mesmo que não haja limites
Entre prazer de viver e a dor da morte.

Fui cúmplice de trapaças.
Nós somos cúmplices de roubo
Jogando o mesmo jogo,
Onde o vencido deveria ganhar...
Mas seguindo as mesmas regras,
Enfrentando-nos com a mesma fúria...
Quebrando mesas e corações a esmo.
Partindo-nos em duas partes.
Deveríamos ser o mesmo.

Eu estava pedida quando conheci você.
Perdi-me por ter você.
Perdi-me por perder você...
Virá um tempo,
Em que você se perderá ao menos,
Quando, perdendo,
Ambos (talvez) ganharemos...

04 setembro, 2009

Certo Estranho



Se uma mente vazia é oficina do Diabo,
Minha cabeça deveria estar o Inferno
É ESTRANHO, mas há algo mais aqui:
Está aqui em minha mente,
Meticulosamente te gravando:
Até gírias do seu vocabulário
Isto é certo o que vou lhe dizer:
São as rimas dos meus poemas.
É tudo que eu tenho para escrever...

O que ganho de você,
Tira o meu fôlego.
O que você ganha de mim,
É estranho - Arranca meu ar.
O céu está detrás dos seus olhos,
E o inferno mora em seu beijo.
É estranho ser certa e não fazer tudo certo,
Como se o paraíso para ser desejado
Precisasse de um certo inferno...

Ela. Seu Caminho. O Epitáfio


“Meu Deus”! “Ninguém me amou”!
“Vivi na solidão”...
(Álvares de Azevedo)

Antes que ela começasse a viver,
E antes que ela começasse a caminhar,
Entregaram-lhe o fardo do Amor
Que deveria até o fim da sua vida levar
Assim a vida não seria um vão penar.

Mas sozinha ela não o deveria carregar.
O seu fardo era pesado e imenso;
Mas não havia ninguém que a quisesse ajudar;
O peso a machucava e a fazia sofrer;
Sozinha, não conseguia mais com o Amor andar.

Então, no meio da vida, ESTRANHAMENTE parou.
Antecipava o fim por ela tão cansada estar.
Odiou seu fardo. Havia caminhado em vão;
Olhou o caminho, sentou, e se pôs a chorar:
Exausta o suficiente para merecer descansar...