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26 outubro, 2017

Caro Olhos-Cor-de-Saturno


Caro Olhos-Cor-de-Saturno,
estou na praça onde ficamos cem vezes
mas agora, com o coração partido
e a garganta dolorida por soluços e cigarros
certa de que você me vê como um grande clichê

Caro Olhos-Cor-de-Saturno,
eu amo escrever esses clichês sobre você
ou pelo menos costumava ser
(finalmente, agora, não tenho tanta certeza)

Meu caro de Olhos-Cor-de-Saturno,
só não esqueça de como minhas mãos gelavam
eu sei que é demais para você
mas espero que possa entender como era comigo
pois toda vez que eu tocava sua pele morna
a minha pele formigava
e estrelavam meus olhos noturnos,
caro Olhos-Cor-de-Saturno.

(agosto de 2013)

26 julho, 2017

Dez da manhã

abri os olhos e
senti a mão dele na minha bunda
eu dei-lhe um olá,
e ele espreguiçou um bom dia

beijei-lhe a boca e 
enquanto o relógio batia dez
eu batia-lhe uma
e ele sussurrando gemia

e eu agora, para variar
aqui relato mais uma transação,
mas dessa vez,
sem detalhes e nenhuma rima 

(setembro de 2011) 


05 maio, 2017

Aquele sobre o mito do relacionamento perfeito

Um dos clichês mais verdadeiros é que quando se trata de amor, a ambição nunca é sobre encontrar a perfeição. Ter o tal “par perfeito” é apenas sobre ter alguém que esteja disposto a atravessar os tempos difíceis com você.

É sobre ter alguém que veja beleza e descubra tesouros inimagináveis em você. 

O objetivo deveria ser sempre encontrar alguém que valha a pena.

Perceba com quem você pode passar por turbulências sem sair do seu lado e segure sua mão. Encontre alguém que faça bem ao seu coração e a sua mente e o proteja.

Valorize aquele alguém com quem você possa se divertir com, mas também relaxar. Alguém que não tenha medo de ser sonhador, patético e louco. 

Sabe aquela pessoa que acalma o caos do seu dia? 

Ela não é perfeita, mas é o seu par: Leve-a pelo resto da vida. 

- foto: Erin Northcutt -

19 outubro, 2016

Química



Álcool,
Dopamina,
Testosterona,
Progesterona,
Serotonina...
Em seguida,
Pílula do dia seguinte.

24 novembro, 2015

Toda Poderosa

“Deve-se temer mais o amor de uma mulher, 
do que o ódio de um homem.”
 Sócrates

Qualquer dia desses, eu estiquei o braço com o dedo em punho, e furei as nuvens só para espiar o céu. Gritei por ti, e a minha voz pareceu com um trovão assustando o Japão. Sem muito esforço, mexi na lua que estava muito fininha e aquela noite merecia uns flashs de luz, aliás, noite que eu fiz de uma tarde que tava com um sol de rachar minha pele morena
.
Odeio guarda-chuvas de tecidos impermeáveis, se faço chover, é porque quero ficar molhada por inteira. Quer saber? Agora me deu uma enorme vontade de saltar e ir até aí ver teu rosto enquanto me lês. É eu sou louca, mas o mundo está em minhas mãos. Por falar em minhas mãos, acabei de fazê-las em conchas e estou agorinha derramando umas ondas na praia. Queres ir tomar banho? Nadar? Vai lá, podes ir! Mas lembre-me mais tarde de adoçar o mar. Detesto o sal temperando o teu gosto... 

30 março, 2014

Crônica de um Dia de Sol Crônico


"Por aqui não se passa 
sem que se sofra o calor do fogo." 
(Dante Alighieri) 


Sentei para escrever ás dez da matina e podia jurar que o relógio já batia o meio dia. Credo, Deus, pra quê esse calor? O mormaço me derrubou. Nada de inspiração, somente transpiração.

Saio no portão. Somente uma senhorinha debaixo de uma sombrinha velha passa na rua. Corajosa. Aqui fora, nem uma folha de jambo ousa se mexer. Olho para o céu. Lá em cima, uma nuvem sozinha que não cumpre seu bendito trabalho de chover. E eu aqui embaixo, suando, cozinhando em banho maria-da-silva. 

Volto para a cadeira e tento escrever sobre o amor, felicidade, sonhos, essas coisas. Mas não dá pra dá um abracinho no pingo do meio dia, não dá para ser simpática com seus miolos fervendo e não dá nem pra dormir nessa quentura. Ah, eu queria era escrever sobre a beleza de viver...

A vida é bela meus queridos, mas juro que esse calor está tentando acabar com a minha.



07 fevereiro, 2014

Sem Razão



"A paixão e a razão 
são duas viajantes que nunca vivem juntos na mesma hospedaria:  
quando uma chega, parte a outra." 
(Walter Scott)

Por um momento, sem fala, te beijo.
Estremeço, e o beijo se abrasa em pleno fogo alto.
Mergulho.
Agarro-me a teus cabelos, braços, ombros, costas.
Encostas-me.
Contraio-me e todo universo ao nosso redor se distrai.
Esse mundo é só meu.
Nada mais existe além de ti e da sensação de teus braços envoltos de mim, e de teus lábios nos meus. Há muito que já te perdi.
Nesse encontro, também me perco.
Estou sem razão de querer-te, mas eu te quero.

Passaram-se alguns minutos ou uma curta eternidade. Todos os dias de saudades cabem nesse instante e eu não encontro razões para largar-te. Fico farta de roupas pois quero nossos corpos ao vento e em lábios molhados, e quero estar como sempre desejo, a sentir-te e a sentir-me arder, exposta, como se minha pele estivesse ao avesso, como se a pele dele estivesse vestida em brasa, e eu queimando numa paixão dolorida, consumindo a minha inútil razão...

Paixão não tem razão. Eu, muito menos.

20 dezembro, 2013

Razões (e Outros Motivos)



Tenho razão e revoltas:
Houve uma aliança implícita que rompeste
Como romperam as gotas de chuva quando caí
Rompeste a promessa, a mesma que esqueci
Sem prazo, sem aviso prévio, sem provocação.

Tenho razão e paciência:
Teu relógio de pulso enlouqueceu?
Não vê que antecipaste o tempo.
Está quebrado e louco no ritmo do vento?
Tu enlouqueceste as nossas horas.

Tenho razão e devaneios:
Que poderias ter feito de mais insano
Além desse ato sem pé nem cabeça,
Quebraste o equilíbrio natural do planeta
Tirando-me da órbita de uma estrela solitária

Tenho razões e dúvidas:
O fato é que não ousamos nem sabemos ousar
Porque depois dele, não há nada?
Quem dá a primeira passada?
Quem ficou vai atrás ou quem se foi volta atrás?

Tenho razão e arrependimentos:
De nossa convivência em falas caladas,
Articulando sílabas conhecidas e banais
Que eram sempre certas e fatais.
Simples como apertos de mãos de amigos em tédios.

Sim, tenho razões e desesperos:
Odeio-te e acuso-te porque fizeste
O não permitido pelas leis do amor e da natureza
Nem nos deixaste sequer o direito de certeza
Porque me deixaste. Porque tu me deixaste ir...


Krol Rice

25 novembro, 2013

Passageira


"A vida é tão passageira. Tão frágil... 
Cada respiração pode ser a última."
(Coringa Quinn)

Por você eu até viveria.
Por voce até me daria alguma vontade de viver.
Deu, eu vivi.
Passou, também passei...

Krol Rice

07 outubro, 2013

A Preencher


"Em um coração cheio há espaço para tudo,
e em um coração vazio não há espaço para nada."
(Antonio Porchia)

Aqui dentro de mim o espaço é infinito,
o tempo é infindo.
Só,
dentro de mim o isolamento se instala em cada canto,
em cada centímetro da vasta imensidão do meu ser.
Há tantas terras a serem cultivadas;
tantos mares, tantos terrenos a serem ocupados.
Tanto silêncio a ser quebrado onde a solidão é gritante, seca e apática.
Monótona demais.
Dentro de mim cabem casas com banco no quintal,
gramas e flores;
cachorro,
uma, duas crianças, seus risos.
Cabe alguém deitado em meu colo e uma conversa qualquer.
Posso me preencher de músicas, danças, choros, amores, guerras e desastres naturais.
Dentro de mim cabem livros, poemas, orações, paixões e cabe o mundo.
Cabe o universo inteiro dentro do vazio em mim.

17 agosto, 2013

A Última Idade



"Nunca tive outra idade senão a do coração."

(Ninon Lenclos)

   Finalmente. Chegamos à idade em que para vivermos por mais tempo, devemos saber acrescentar mais vida ao tempo que ainda temos.
   É nessa idade que teremos de aprender que a vida só começará quando tomarmos ciência que ela é passageira. “Tudo passa, até a uva”.
    Essa é a idade em que pegaremos o que temos, escolheremos o que será passado e separaremos o que queremos para o futuro. Nós saberemos aceitar consequências ou apenas aceitaremos.
   Nós optaremos por atravessar nossas tempestades exteriores e interiores, mas também seremos capazes de encontrarmos abrigo no fundo de nossa alma.
   A partir dessa data, reconheceremos o que nos é mais importante agora e não só apenas em momentos de crise. Sonharemos sem limites, choraremos sem vergonhas e sorriremos sem medidas.
   E amaremos. Mas não que não soubéssemos amar antes, mas é que daqui para frente amaremos sem dúvidas, sem medos e sem perdermos mais tempo. Por que daqui para frente, tempo é o que não nos resta.

Krol Rice Chacon

10 agosto, 2013

Quanto a Promessas Solenes



Por favor, não me venham com promessas.
Pago o que for para não me causarem expectativas. Tem algo (bom) para mim? Então, me surpreendam! Promessas não cumpridas são mentiras (e ponto) e não adianta toda a boa intenção lá naquela hora. São mentiras tão desleais como uma propaganda enganosa feitas com loiras falsas. Não, não vai descer redondo.
   Não me jurem nada, eu acredito.
Eu sou assim, lesa, com pose de cética e munida com uma memória perversa que armazena o quando, onde e em quais circunstância deveria acontecer o tal troço que nunca acontece. Ah, e sem contar a espera: sofro por antecipação. Odeio ansiedade. Adoeço e vem febre, vem dor de cabeça, diarreia: uma maldita infecção.
   Por minha segurança e física e mental eu deveria passar notas promissórias a cada promessa solene. A palavra não cumprida deveria dá perda de mandato. Dá processo, cadeia, pena de morte. E por falar de morte, a verdade é que o homem tem de próprio na vida é só sua palavra. O resto ele apenas toma de empréstimo enquanto não morre.


27 julho, 2013

Sobre Números e Paradoxos

 
 
       Somando-se ás coisas sobre a minha cama: Roupas, livros, fotos. E mais umas dezenas de lembranças que trazem centenas de memórias.
     O papel cheio de suas letras – dedicatórias. A cabeça cheia de minhas confusões – compulsórias.
     Minhas poucas certezas e muitas dúvidas:
     Certo que fui feita muito feliz e sabia. Infelizmente não soube como fazer. Disso eu sei.
     Suspeito que melhor de mim talvez não tenha sido nada. Ao menos não o suficiente. Nunca dará para saber.
     Todo esse paradoxo de milhares sentimentos seria cômico para alguém se trágico não fosse. Para mim.

10 agosto, 2012

Quadrinho Errado


 "Eu desconfiava;
Todas as histórias em quadrinhos são iguais."
Carlos Drummond de Andrade

Saltou da moto (faz de conta que é um cavalo, tanto faz), agarrou-a pela cintura como um louco, puxou-lhe a capa (que capa?), e deu-lhe um enorme beijo na boca. O pobre infeliz chamou-lhe Mulher Maravilha num sussurro convincente ao seu ouvido.

A cena seria tipicamente sensual, mas... Erro dele. Desapontada, a Mulher Gato deixou-se cair de um prédio de ilusões, deu de costas e foi-se embora... Não sou a Mulher Maravilha nem tão pouco tenho capas para que consigam me agarrar.

Mulher Gato? Outro erro. Também não... Nem fantasie! Não tenho aquela sensualidade toda nem mesmo rebolando em cima de um muro de um beco de rua com um chicote barato na mão.

Sou normal mesmo (Opa!), um pouco mais morena que o normal devido á genética e á insistência do sol por essas bandas no decorrer do ano todo. Sim, gosto de aparecer no sol ao contrário de certas heroínas por aí. Não sei bem quanto media a Mulher Maravilha nem tão pouco a Mulher Gato, mas devo ser bem menor, ando por volta dos cento e sessenta centímetros, mais coisa ou menos coisa ando por aí. O cabelo, sim, é maior e gosto mesmo que ele me atropele a vista míope num franjão, vermelho, mas não Mary Jane e me falta o chicote, a roupinha sexy de couro, alguns quilos no corpo (em cima na frente, e em baixo atrás), mas isto é para que não haja confusões.

Ah, e é verdade, apesar de pequena, calço o número 37, sim eu repito por extenso: trinta e sete - assim sempre podem verificar as grandes pegadas e ver se realmente sou eu ou não. Fica bem mais ou menos esse erro, ao menos por aqui vou me saindo desse tipo de confusões...

Eu também desconfio. O resto são todas iguais.


27 junho, 2012

Estranha Utopia


Aqui,
entre as quatro paredes da minha mente tu deslizas
como gotas pela minha pele
como se eu estivesse entregue a uma tempestade.

E te sinto,
sem que me toques,
como se fosses chuva acariciando meu corpo.
Me cantas ao ouvido, e acalmas minha alma como se de música fosses feito,
moves-se em mim, como se fosses o ritmo de uma dança mística...

Ah, e eu desejo-te...
E por tanto desejo surges logo á minha frente como não mais que uma ESTRANHA utopia,
como um sonho realizado, como um poema cravado, ou como uma aposta ganha.

Apareces-me como uma visão, e eu agarro-me febril ao corpo que minha mente criou, e abrigo-me entre os relevos do seu rosto, e aspiro os aromas que pertencem unicamente á ti, vou criando-te - homem - diante de mim, moldando com minhas mãos, meu vazio, que conhecem de cor as formas da tua sombra, contornos que apenas eu sei, olhares que apenas eu vejo.

Dou-te sons de voz e respiração
com decibéis inaudíveis, que apenas eu ouço.
E eu, agora, desejo-te inda mais como o poeta concebe com dor e prazer o seu desejado poema,
ou como só um criador pode desejar a sua criação...


Krol Rice

17 junho, 2012

Desabrigo


Nesses dias em que me vejo
Sem nenhum teto e sem um chão,
Dá-me uma morada em tua mente
Que fui despejada de teu coração... 

(Que teu futuro me reserve então.)

 
Krol Rice

30 maio, 2012

Per(metida)

 
Tenho licença poética
E permissão
De sonhar no escuro
E rabiscar tronxos muros
Com a minha paixão.

 
Krol Rice

03 maio, 2012

Poeminha Pessimista



Virão para a cara
as rugas
as rachaduras
e as escaras.

De vingança dura
Virá a banha
dos bichos mortos
por sua gorduras.

Virá desgraça
e com o tempo,
Colesterol e diabetes
E irá a vida de graça.


Krol Rice