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17 agosto, 2013

A Última Idade



"Nunca tive outra idade senão a do coração."

(Ninon Lenclos)

   Finalmente. Chegamos à idade em que para vivermos por mais tempo, devemos saber acrescentar mais vida ao tempo que ainda temos.
   É nessa idade que teremos de aprender que a vida só começará quando tomarmos ciência que ela é passageira. “Tudo passa, até a uva”.
    Essa é a idade em que pegaremos o que temos, escolheremos o que será passado e separaremos o que queremos para o futuro. Nós saberemos aceitar consequências ou apenas aceitaremos.
   Nós optaremos por atravessar nossas tempestades exteriores e interiores, mas também seremos capazes de encontrarmos abrigo no fundo de nossa alma.
   A partir dessa data, reconheceremos o que nos é mais importante agora e não só apenas em momentos de crise. Sonharemos sem limites, choraremos sem vergonhas e sorriremos sem medidas.
   E amaremos. Mas não que não soubéssemos amar antes, mas é que daqui para frente amaremos sem dúvidas, sem medos e sem perdermos mais tempo. Por que daqui para frente, tempo é o que não nos resta.

Krol Rice Chacon

10 agosto, 2013

Quanto a Promessas Solenes



Por favor, não me venham com promessas.
Pago o que for para não me causarem expectativas. Tem algo (bom) para mim? Então, me surpreendam! Promessas não cumpridas são mentiras (e ponto) e não adianta toda a boa intenção lá naquela hora. São mentiras tão desleais como uma propaganda enganosa feitas com loiras falsas. Não, não vai descer redondo.
   Não me jurem nada, eu acredito.
Eu sou assim, lesa, com pose de cética e munida com uma memória perversa que armazena o quando, onde e em quais circunstância deveria acontecer o tal troço que nunca acontece. Ah, e sem contar a espera: sofro por antecipação. Odeio ansiedade. Adoeço e vem febre, vem dor de cabeça, diarreia: uma maldita infecção.
   Por minha segurança e física e mental eu deveria passar notas promissórias a cada promessa solene. A palavra não cumprida deveria dá perda de mandato. Dá processo, cadeia, pena de morte. E por falar de morte, a verdade é que o homem tem de próprio na vida é só sua palavra. O resto ele apenas toma de empréstimo enquanto não morre.


27 julho, 2013

Sobre Números e Paradoxos

 
 
       Somando-se ás coisas sobre a minha cama: Roupas, livros, fotos. E mais umas dezenas de lembranças que trazem centenas de memórias.
     O papel cheio de suas letras – dedicatórias. A cabeça cheia de minhas confusões – compulsórias.
     Minhas poucas certezas e muitas dúvidas:
     Certo que fui feita muito feliz e sabia. Infelizmente não soube como fazer. Disso eu sei.
     Suspeito que melhor de mim talvez não tenha sido nada. Ao menos não o suficiente. Nunca dará para saber.
     Todo esse paradoxo de milhares sentimentos seria cômico para alguém se trágico não fosse. Para mim.

10 agosto, 2012

Quadrinho Errado


 "Eu desconfiava;
Todas as histórias em quadrinhos são iguais."
Carlos Drummond de Andrade

Saltou da moto (faz de conta que é um cavalo, tanto faz), agarrou-a pela cintura como um louco, puxou-lhe a capa (que capa?), e deu-lhe um enorme beijo na boca. O pobre infeliz chamou-lhe Mulher Maravilha num sussurro convincente ao seu ouvido.

A cena seria tipicamente sensual, mas... Erro dele. Desapontada, a Mulher Gato deixou-se cair de um prédio de ilusões, deu de costas e foi-se embora... Não sou a Mulher Maravilha nem tão pouco tenho capas para que consigam me agarrar.

Mulher Gato? Outro erro. Também não... Nem fantasie! Não tenho aquela sensualidade toda nem mesmo rebolando em cima de um muro de um beco de rua com um chicote barato na mão.

Sou normal mesmo (Opa!), um pouco mais morena que o normal devido á genética e á insistência do sol por essas bandas no decorrer do ano todo. Sim, gosto de aparecer no sol ao contrário de certas heroínas por aí. Não sei bem quanto media a Mulher Maravilha nem tão pouco a Mulher Gato, mas devo ser bem menor, ando por volta dos cento e sessenta centímetros, mais coisa ou menos coisa ando por aí. O cabelo, sim, é maior e gosto mesmo que ele me atropele a vista míope num franjão, vermelho, mas não Mary Jane e me falta o chicote, a roupinha sexy de couro, alguns quilos no corpo (em cima na frente, e em baixo atrás), mas isto é para que não haja confusões.

Ah, e é verdade, apesar de pequena, calço o número 37, sim eu repito por extenso: trinta e sete - assim sempre podem verificar as grandes pegadas e ver se realmente sou eu ou não. Fica bem mais ou menos esse erro, ao menos por aqui vou me saindo desse tipo de confusões...

Eu também desconfio. O resto são todas iguais.